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Política Quinta-feira, 03 de Abril de 2025, 21:23 - A | A

Quinta-feira, 03 de Abril de 2025, 21h:23 - A | A

Guerra econômica à vista

Trump anuncia tarifaço e abala mercado global

Pacote quer recuperar espaço perdido da indústria dos EUA para Ásia

Redação Fatos de Brasília / Com Agência Brasil

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta terça-feira (2), a imposição de novas tarifas sobre todos os seus parceiros comerciais, em uma tentativa de reindustrializar o país e reduzir o déficit comercial, que já soma cerca de US$ 1 trilhão ao ano. A medida, no entanto, gerou forte reação no mercado global e preocupações sobre seus efeitos na economia mundial.  

Impacto global e repercussão - Analistas financeiros apontam que as tarifas, embora possam favorecer algumas indústrias norte-americanas no curto prazo, não serão suficientes para recuperar a competitividade da economia estadunidense diante da forte industrialização asiática. Segundo Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master, a Ásia conseguiu se consolidar como potência industrial nas últimas décadas devido a políticas bem estruturadas de inovação e incentivos ao desenvolvimento tecnológico.   "A Ásia foi muito eficiente em criar estratégias para fortalecer sua indústria nos últimos 20 a 30 anos. Países como Vietnã, Malásia, Tailândia, Indonésia, China e Índia desenvolveram políticas industriais e tecnológicas que impulsionaram seu crescimento", explicou Gala.   A decisão dos EUA de impor tarifas elevadas a produtos importados representa "o maior choque tarifário desde os anos 1930", segundo Gala. Ele alerta que a medida pode provocar desestruturação do comércio global, retração nos investimentos e encarecimento de produtos essenciais, impactando diretamente a inflação nos Estados Unidos.  

As novas tarifas - A política tarifária anunciada pelo governo norte-americano impõe alíquotas diferenciadas, afetando mais fortemente os países asiáticos. A divisão ficou da seguinte forma:

- 10% para países da América Latina, incluindo o Brasil;

- 20% para países da Europa;

- 30% para países asiáticos.  

O objetivo declarado pelo governo dos EUA é combater déficits comerciais e garantir mais espaço para a indústria nacional. No entanto, economistas alertam que a disparidade nos custos de produção pode minar a eficácia da medida. "O custo de produção nos EUA é, em média, cinco a seis vezes maior do que na Ásia. Isso dificulta a competitividade da indústria americana, mesmo com tarifas protecionistas", destacou Gala.  

Reflexos no Brasil - O Brasil foi um dos países menos afetados pelo tarifaço, com uma taxa de 10% sobre suas exportações para os EUA. Ainda assim, especialistas alertam para impactos indiretos no comércio brasileiro devido à possível instabilidade global causada pela medida.   De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os EUA são o principal destino das exportações brasileiras de produtos de maior intensidade tecnológica. Empresas de tecnologia  podem sofrer consequências diretas devido à guerra comercial instaurada.     Por outro lado, especialistas apontam que a situação pode abrir oportunidades para o Brasil. "Se soubermos aproveitar o momento, podemos expandir nossas exportações para mercados que deixarem de comprar produtos americanos devido às novas tarifas", afirmou Volnei Eyng, CEO da gestora de ativos Multiplike.  

Cenário de incerteza - Com as tarifas elevadas e a possibilidade de retaliações comerciais de outros países, o mercado global enfrenta um período de incerteza. Bolsas de valores ao redor do mundo já registraram quedas expressivas, enquanto empresas multinacionais analisam como reorganizar suas cadeias produtivas diante das novas restrições.   O governo brasileiro já sinalizou que pretende recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a medida. No entanto, a própria OMC enfrenta desafios devido a impasses institucionais promovidos pelos EUA nos últimos anos, o que pode dificultar uma solução rápida para o impasse.   A guerra tarifária instaurada pelos EUA pode remodelar o comércio internacional nos próximos anos, trazendo desafios e oportunidades para diferentes economias ao redor do mundo. O desenrolar das tensões comerciais será determinante para a configuração do cenário econômico global no futuro próximo.                      

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